A terra do fogo e gelo e dos perigos mortais!

A Islândia surgiu em nosso radar por acaso. Temos uma irmã que mora na Inglaterra, e gostamos de fazer viagens que possibilitem visitá-la e conhecer as redondezas.

Assim foi em 2014, quando fizemos uma grande viagem com temática “Reino Unido” (um dia eu ainda consigo escrever sobre… rs).

Desta vez, com o Reino Unido já explorado, pensamos em algum país que fosse próximo..

E se a gente fosse… para a Islândia?

São apenas 3 horas de voo entre Londres e a capital do país, Reykjavík, e parece ser um lugar para onde você não iria realmente se não tivesse alguma desculpa, né? Bom, isso até a gente começar a ler sobre…

O que nós sabemos até agora sobre a Islândia:

John Snow conheceu o amor carnal com Ygritte em Game of Thrones

– Caminhantes brancos habitam aquela região (adoramos GoT)

– O policial de Chicago de Sense 8 se esconde lá (uma série de TV muito legal)

– Tem aurora boreal (mas é visível apenas no inverno)

(Quantos clichês, né? Que vergonha!)

O que a gente não sabia: que a Islândia é um perigo!

Num café com amigos, o marido de uma amiga comentou, ao saber de nossos planos: muito cuidado com a praia! Lá tem uma corrente marítima muito forte que puxa você para o mar aberto e você não consegue voltar à praia!

Conversando mais um pouco, a história completa era de que uma onda levou uma família alemã que estava na praia para dentro do mar. Apenas o pai e o filho conseguiram regressar. Intrigada com a história fui atrás de informações e a história confere! Talvez pelas correntes marítmas, mas principalmente porque as ondas são inesperadas e repentinas.

E aí pensei: O que não devemos fazer na Islândia para voltarmos sãos e salvos para o Brasil?!

Quem vai para a Islândia pode morrer das seguintes causas:

  1. Afogado ou congelado na praia de Reynisfjara ou na praia de Kirkjufjara
  2. Afogado ou congelado tentando ajudar quem se afogou na situação citada acima
  3. Congelado ou de concussão nas geleiras do lagos glaciares
  4. Congelado porque ficou perdido em geleiras
  5. Soterrado em cavernas de geleira
  6. Soterrado nas cavernas basálticas
  7. Queimado nas fontes geotérmicas
  8. Atropelado na estradas porque parou para ver a aurora boreal
  9. Congelado porque fez pouco caso do clima da Islândia
  10. Acidentado porque caiu de algum rio ou queda d’água

Parece exagero? A lista acima mostra que Islândia pode ser tão espetacular quanto perigosa. Vocês vão ver que a maioria das situações aqui acontecem por imprudência. Há avisos nas praias, vídeos, explicações e relatos. Mas as pessoas tendem a tomar más decisões porque sempre acham que não vai acontecer com elas, porque elas são mais experientes do que as outras e porque acham que sabem mais do que as outras (ou são mais rápidos ou espertos do que os outros).

Para quem ficou curioso, veja abaixo relatos de incidentes relativos à primeira metade da lista, incluindo links de onde tirei as notícias. Acompanhe esta seção para ver a segunda parte da lista no próximo post!

 

  1. Afogado ou congelado na praia de Reynisfjara ou na praia de Kirkjufjara

 

 

Por que lá é diferente:

  • Água gelada: Gente, é água GELADA. O mar na Islândia tem temperatura média 5º C (março) a 11.4º C (julho). Nosso corpo funciona a 37º C e quando atinge 30º C você já fica inconsciente. Ficar de 10 a 30 minutos na água a 5º C já é suficiente para seus músculos perderem a força. Alguns sites apontam que em até 60 minutos você atinge a exaustão (mas com certeza eles não estão considerando a força da correnteza deste mar e nem o desespero da pessoa). Para comparar, a etapa mais difícil da maratona mundial de natação em águas abertas acontece em um lago cuja temperatura da água varia de 12º C a 16º C (ou seja, a temperatura é acima da média do verão do mar da Islândia). Você, que provavelmente não é um maratonista, acha mesmo que se cair na água dessa praia vai sobreviver?!
  • Ondas fortes e repentinas: Não digo nada, apenas vejam no vídeo mais abaixo (no item 2) o que são ondas repentinas!
  • Areia fofa e porosa: já tentou firmar o pé numa areia fofa? E firmar o pé numa areia fofa enquanto ondas estouram em cima de você e pessoas saem correndo e gritando? E com você vestido com um monte de roupas e casacos, molhado e em pânico? Acrescente a isso o fator surpresa, estar acompanhado de alguém menor (crianças por exemplo), segurando bolsa, com máquina fotográfica, celular. Então…

Como evitar:

– Não fique de costas para o oceano: ou seja, não faça selfies!

– Não fique próximo demais à água

– Não presuma que bom tempo signifique segurança: na verdade o ideal é não presumir nada. Você está num ambiente completamente diferente do Brasil ou de qualquer outro lugar do mundo. Obedeça as placas e os guias turísticos (e não os turistas que podem estar fazendo coisas idiotas).

Foto abaixo deste site.

reynisfjara_tourists_in_danger_magnus_johannsson.jpg
Não basta apenas visitar: precisa tentar morrer também!

Isso é um exagero? Não. Vários turistas já morreram na praia de Reynisfjara levados por essas ondas fortes e repentinas: uma americana em 2007 e um turista chinês em 2016. A última foi uma turista alemã no começo de 2017 (e teria sido pior caso seu filho e marido não tivessem conseguido sobreviver).

 

2. Afogado ou congelado tentando ajudar quem se afogou na situação citada acima

Parece muito absurdo, mas na hora que você vê o amor da sua vida ali, você vai atrás. E aí, nada poderia ser pior. Os resgates lá acontecem por helicóptero ou barcos. Não tem salva-vidas na praia, por que raios você acha que você entrar ali na água vai adiantar? É quase como brincar de roleta russa. Pelo que li, os casos de “resgate” que acontecem feitos por pessoas normalmente ocorrem quando a pessoa consegue agarrar a outra que está sendo levada (nunca no meio da água). O que se lê de descrições de medidas de segurança é colocar policiais e barreiras para impedir pessoas de se aproximarem demais da água ou se colocarem em situações de risco. Ninguém (atenção: ninguém) fala de salva-vidas do tipo que entra na água com bóia para nadar.

Isso é um exagero? Talvez. Mas nunca se sabe, né? A filmagem abaixo é de uma praia na França, mas mostra: ondas repentinas, frio e uma situação que poderia ter dado errado (mas não deu pela descrição do vídeo.. ufa!)

 

3. Congelado ou de concussão nas geleiras dos lagos glaciais

As geleiras de lagoas glaciais são as mais versáteis para morrer. Você pode:

  • escorregar e cair na água: morte por afogamento ou por hipotermia (no caso, hipotermia aguda que é a mais grave pois a queda de temperatura é brusca)
  • escorregar e bater a cabeça: morte por traumatismo ou qualquer complicação decorrente da queda
  • ficar bobeando e o pedaço de gelo que você está virar um iceberg e sabe-se lá se você vai ser resgatado ou se vai cair na água (aí morre afogado ou por hipotermia)

Foto retirada deste site.

Ligação com o mar vista de cima:Jökulsárlón

Estão rindo? O pessoal desse link resolveu fazer um piquenique e se deu mal. O pedaço de gelo se soltou e se transformou em um iceberg. A sorte é que um deles saltou a tempo e conseguiu pedir resgate. (Se quiser rir só um pouquinho, recomendo esta notícia relacionada a acidente em lagoa glacial de um casal que perdeu o carro com bagagem, passaporte e passagens aéreas).

A lagoa glacial de Jökulsárlón conta com um atrativo extra: ela está ligada ao oceano, e por isso a maré forma um fluxo de água contínuo que faz com que a água da lagoa tenha uma corrente forte e bastante subestimada pelos turistas.

E ainda assim tem gente que se arrisca e fica brincando de pular de bloco em bloco. Você pode ser inclusive parado pela polícia que vai tentar evitar o pior (pois de acordo com a reportagem o resgate é virtualmente impossível quando o gelo está fino). E muitas vezes a decisão ruim é tomada em grupo, como no caso desse bando de turistas (alguns pais com crianças) que quiseram se aproximar de focas, mas também foram chamados de volta pelo guia turístico antes que algo ruim acontecesse. O vídeo abaixo foi feito durante 1 hora em time-lapse em Jökulsárlón: veja como há correnteza e como o gelo se quebra e se movimenta.

Isso é um exagero? Talvez. Não encontrei notícias de pessoas que morreram em lagoas glaciais, apesar de ter ocorrido um acidente com morte em que um veículo anfíbio atropelou uma mulher em  Jökulsárlón.

 

4. Congelado porque ficou perdido em geleiras

Acho que porque as pessoas assistem K2, Limite Vertical e Evereste e todos estes filmes de escaladas de montanhas impossíveis (quando deveriam assistir 127 horas..) e pensam que isso só acontece em filmes e em grandes montanhas e não poderia acontecer em uma simples caminhada. Ainda mais em uma relaxante viagem de férias e dentro de um parque nacional.

E a pessoa resolve explorar o parque porque:

 

 

E você vai. Afinal, está acostumado a fazer turismo por conta própria, ou já foi esquiar, já teve ou tem experiência com ambientes gelados, enfim. Você se preparou, leu todas as informações e tem certeza de que não vai tomar nenhuma decisão estúpida. Vai até acompanhado para garantir que alguém consiga pedir ajuda caso algo errado aconteça.

Mas estamos na Islândia…

E foi aí que dois turistas alemães foram reportados como desaparecidos quando não embarcaram de volta para a Alemanha no dia 17 de agosto de 2007. Planos de viagem  indicavam que eles foram para o parque Svínafellsjökull entre 29 e 30 de julho e pretendiam voltar a Reykjavík em 12 de agosto.  Chegaram a encontrar a barraca deles com documentos, mas nada deles (ou do que sobrou deles). Buscas foram feitas na região até 27 de agosto de 2007 quando  encerraram a operação. Hoje uma placa homenageia os dois desaparecidos… Lembrando que  este é o período de verão na Islândia…

Foto retirada deste site.

Svínafellsjökull wikipedia.jpg
Depois de seduzido pela inocência das fotos lá em cima, essa é a real da geleira em Svínafellsjökull

Isso é um exagero? Não! Em 2011, um jovem turista sueco foi andar por Sólheimajökull para tirar algumas fotos e não conseguiu voltar. Pediu socorro (este pelo menos lembrou de levar o número do socorro da Islândia), mas a bateria do celular acabou antes que ele conseguisse indicar onde exatamente ele estava. 500 pessoas foram procurá-lo, mas quando encontraram, já não havia o que fazer. Aqui você encontra mais detalhes dessa história. Este caso combina os elementos de se perder em geleiras e subestimar o clima da Islândia (motivo 9 da nossa lista), já que ele foi pego por uma tempestade e acabou se perdendo. Ainda tem gente que cai de geleiras e morre também.

 

5. Soterrado em cavernas de gelo de geleiras

Aqui entra um pouco de bom senso, né minha gente? Caverna já é um local onde pode dar todo tipo de coisa de errado. Sendo ainda formada por gelo que pode derreter (ou estar em processo de derretimento no momento que você estiver visitando), e que é instável por estar localizada numa geleira (pelo que li, geleiras são instáveis por natureza), deve ser quase “pedir para morrer”.

Foto retirada deste site.

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Caverna de gelo em Skaftaell – Islândia

Eu acho que classificaria essa atividade como aquelas de alto risco, como pular de paraquedas ou bungee-jumping.

Isso é um exagero? Não. Encontrei morte por queda de gelo em cavernas de geleiras na Islândia, mas não um soterramento no sentido literal da palavra para poder dar detalhes aqui e fundamentar com o link. Também encontrei pessoas que estavam dentro de cavernas de geleiras e encontraram a morte ou porque caíram no rio dentro da caverna (mas neste caso, pela descrição de como o homem caiu na água pareceu um mal súbito) ou, como no caso de um alemão, que estava escalando a caverna da geleira e caiu (porque não basta apenas entrar na caverna, precisa escalar também). Mas mortes em cavernas de gelo são bastante comuns em vários lugares do mundo e até com pessoas experientes – vide Harald Berger, um super alpinista tri-campeão mundial de escalada em gelo. Em 2010, num exercício de aquecimento, a caverna desabou sobre ele e, pela análise desta reportagem, ele estava no lugar errado e na hora errada. Tanto que colegas dele que estavam na mesma caverna decidiram, momentos antes, explorar o fundo da caverna. Foi o que salvou a vida deles e acabou com a de Harald Berger. Nada poderia ter evitado este acidente, pois cavernas de gelo são imprevisíveis por natureza.

 

Essa foi a primeira metade da lista de maneiras de se morrer (ou pelo menos se acidentar gravemente) na Islândia… veja no próximo post mais cinco situações arriscadas que você pode encontrar nesse país pequeno mas perigoso!

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