Comércio e economia: curiosidades sobre a Croácia e os croatas

Esta é a continuação sobre curiosidades da Croácia e dos croatas. No primeiro post, falei um pouco sobre restaurantes. No post anterior, falei sobre o modo de vida. Agora, vamos a alguns aspectos do comércio e economia.

 

– Preparem-se para um país lotado de turistas: é uma das principais fontes de renda do país. Nosso guia de Hvar comentou bastante sobre o decrescimento da população, o desemprego e a dependência da economia croata em relação ao turismo. Vamos por partes:

  • O turismo respondeu por aproximadamente 10 bilhões de euros (quase 30% do PIB croata) em 2015. Foram 14 milhões de visitantes em 2015 (mais de 3 vezes a população croata).
  • Ele também não estava errado sobre o decrescimento da população: foram 11 mil pessoas a menos em 2014, considerando apenas o crescimento natural (nascimentos vs mortes).
  • Já a taxa de desemprego corrobora o calendário croata (citado em “Modo de vida e costumes”) e a dependência em relação ao turismo. Vejam o gráfico que mostra taxas de desemprego maior nos períodos de novembro a março (período de baixa temporada).

 

 

– Nosso guia  de Hvar (ou deveríamos chamá-lo de economista?) também falou sobre  salários médios e os problemas de corrupção entre os governantes no país (e a gente achando que era só aqui no Brasil…). Vamos aos números!

  • Ele comentou que o salário médio de um croata era cerca de 600 a 700 euros. O valor oficial é de cerca de 1060 euros. De acordo com o Croatian Bureau of Statistics, em 2015 os salários pagos (com carteira assinada) ficaram em torno de 7900 kunas (utilizando a mesma taxa de câmbio que uso nesta série de posts, seria 7,5 kunas para cada euro) ou seja, 1060 euros. Mas aqui estamos falando de pessoas com carteira assinada.
  • Para que vocês possam ter uma ideia, nas principais regiões metropolitanas (RE, SAL, BH, RJ, SP e POA), os salários médios de pessoas com carteira assinada (IBGE – 2015) ficaram em 2200 reais. Considerando a taxa de câmbio de 4 reais para cada euro (cotação do mesmo período – junho/16) ficaríamos com aproximadamente 560 euros (quase metade da média croata).
  • Ivor (o guia turístico de Hvar) disse ainda que com uma aposentadoria de 1000 euros  por mês pode-se viver tranquilamente na Croácia. Todos os seus vizinhos próximos eram europeus aposentados!

– Eles fazem questão de dar um recibo sobre a sua compra/estadia.

– Às vezes é difícil diferenciar o local histórico da loja. Muitos comércios estão localizados em prédios históricos, hotéis em antigos palácios. É meio estranho se acostumar com a ideia de que um local construído anos atrás seja explorado comercialmente. Não há cordas ou proteção que separem o estande da loja da parede do Palácio Diocleciano, por exemplo. Há bares estrategicamente localizados no meio da muralha de Dubrovinik: você pensa que é uma das torres da Muralha e na verdade é um bar!

 

 

– Eles curtem um pãozinho, mas não da forma como apreciamos no Brasil, com super padarias com mesas e cadeiras. Lá se parece mais com uma confeitaria, com pães (especialmente folhados) e doces expostos num balcão. Você compra e sai andando com o quitute.

 

padaria em zagreb.jpg
Padarias croatas

– Restaurantes e comércio costumam ficar abertos até tarde da noite. Eu vi shopping centers apenas em Zagreb, e se parecem mais com galerias comerciais, não muito maiores do que a Galeria do Rock que vemos aqui em São Paulo. Grandes shoppings, só mais afastados do centro da cidade e aí você encontra na maioria das “grandes ” cidades da Croácia: Zagreb, Dubrovinik e Split.

 

– A Croácia faz parte da União Europeia, mas não adota o euro como moeda. Lá eles usam o kuna (1 kuna = 100 lipas). Apenas em Dubrovnik vi lojas que informavam os preços em euros e em kunas. Nestas lojas eles aceitavam as duas moedas (preste atenção na conversão, pois algumas lojas usavam 7 kunas para cada euro, enquanto o banco te dá 7,5 kunas por euro – junho/16). Em Hvar, apenas pequenas vendinhas (dessas de rua mesmo) aceitavam euros.

 

– ATENÇÃO: a maioria dos hotéis informa o valor das estadias em euro e em kunas dando a falsa impressão de que se pode efetuar o pagamento em euros. Na verdade, o que eles fazem é uma operação de câmbio. A taxa pelo serviço de troca de moeda não tem um valor fixo: ele é cobrado em forma de uma taxa de conversão mais desvantajosa para você. Enquanto o banco te pagaria 7,50 kunas por euro, os hotéis te dão cerca de 7,30 kunas por euro (taxas variam de 2% a 3%). Por isso, na hora de pagar o hotel, tenha kunas previamente trocadas no banco ou use seus euros. O cartão de crédito do Brasil ainda é a última opção pois o IOF é de 6,38% sobre compras no exterior. Além disso você ainda tem o risco cambial: você volta e, na hora de pagar a fatura, a taxa cambial sobe, aumentando ainda mais a sua despesa. Aliás, é muito simples trocar euros ou dólares por kunas nos bancos: basta ter o seu passaporte, solicitar a troca e assinar um recibo (e não tem fila nos bancos como há no Brasil)

 

– ATENÇÃO 2: notei que nas casas cambiais de Zagreb as taxas de conversão eram bastante semelhantes com as dos bancos. Aqui sempre vale a máxima: quanto mais perto do turista, mais desvantajosa é a conversão. Ou seja, em pontos turísticos, mesmo casas cambiais em Zagreb apresentavam taxas de conversão não interessantes (por exemplo, para cada 1 euro, me davam 7,30 kunas, ao invés das 7,50 kunas que conseguimos no Shopping subterrâneo de Zagreb). Em casas de câmbio nas imediações do Palácio Diocleciano em Split chegamos a ver 1 euro por 7 kunas. Em Dubrovnik (nosso último ponto de viagem) já estávamos escolados e nem checamos em casas de câmbio, afinal é a cidade mais turística de toda a Croácia. Fomos direto ao banco e conseguimos a mesma taxa de 1 euro para 7,5 kunas que encontramos lá em Zagreb.

 

– Os horários bancários são meio diferentes, dependendo da cidade em que você está: em Hvar abriam às 11h e fechavam às 15h.

 

– Produtos típicos para adquirir na Croácia são azeites. Como a Croácia faz parte da União Européia, azeites são permitidos e não serão confiscados numa eventual vistoria da alfândega em aeroportos da União Européia e Reino Unido. Em Dubrovnik e no aeroporto de Zagreb vi uma loja especializada em azeite que está começando a se popularizar por lá: Uje. A loja é um charme e uma perdição para os apreciadores de boa comida. Há desde conservas de trufas negras e brancas e azeites aromatizados até biscoitos feitos de azeite. São tantos tipos de azeites e produtos derivados que fica até difícil escolher qual trazer para casa. Para quem quer algo mais diferente, ainda há azeites vendidos nas barracas. São feitos de forma artesanal, e por isso é mais arriscado trazê-los, pois os recipientes são garrafas de vidro reutilizadas. Comprei os nossos em uma barraca em Hvar, indicada pelo nosso guia Ivor do tour off-road que fizemos.

 

-Vinhos podem ser um bom presente para trazer. Os croatas adoram exaltar as propriedades de um vinho chamado Dingač, pois os vinhedos estão localizados em montanhas e recebem incidência de sol diferenciado dos vinhos europeus. Bastante fácil de achar, especialmente em Dubrovnik. Para quem quer saber mais sobre vinhos croatas, gostei desse site aqui.

 

-Para quem gosta de artesanato a Croácia tem uma infinidade de produtos, dependendo do local em que você se encontra. Os itens mais populares são a renda de Pag (caríssima, tipo 800 euros,  e não encontrei para comprar nas cidades de Hvar e Dubrovnik; talvez apenas em Pag) e o bordado típico de lá (também com preços razoáveis de 10 euros pra cima). Em Dubrovnik, o comércio de jóias é bastante forte. Fuja das peças feitas em coral, pois além de caras (os joalheiros nem passam os preços em kunas, já te dão em euros e alguns parecem aqueles vendedores de eletrônicos que sempre têm um produto melhor escondido no fundo da loja), podem ser de origem danosa ao meio ambiente (apesar deste artigo dizer que os corais usados na fabricação de jóias não corresponderem aos corais em extinção…)

 

– Eles sempre questionam qual a forma de pagamento. Eles adoram papel moeda, pois os croatas reclamam bastante da carga tributária (certamente não conhecem o Brasil). Um dos guias nos alertou para a possibilidade deles cobrarem um preço extra caso a forma de pagamento fosse cartão de crédito. Mas vale dizer que não vimos/percebemos isso em lugar nenhum.

 

Isso foi um pouco do que entendemos da economia e comércio da Croácia. Certamente há muita coisa que ficou de fora, mas acredito que demos uma boa visão do que turistas podem encontrar nesse belo país. Não deixem de ler os primeiros posts dessa trilogia que acaba aqui: Restaurantes e Modo de vida.

 

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