Modo de vida e costumes: curiosidades sobre a Croácia e os croatas

Aqui são algumas da impressões que tivemos nesses 12 dias viajando pelo país. Claro que cada um tem uma experiência diferente, mas comento abaixo um pouquinho do que vimos por lá e que tornaram nossa viagem muito mais rica e interessante. Este post é a continuação da trilogia que começamos em “Restaurantes: curiosidades sobre a Croácia e os croatas”. O próximo será “Comércio e economia: curiosidades sobre a Croácia e os croatas”.

 

– Minha percepção foi de que não há pobreza extrema nas cidades da Croácia. Em Hvar, ouvimos do guia que as pessoas se ajudam bastante trocando até serviços e produtos entre si. Mas isso deve acontecer apenas em cidades pequenas. Pedintes, vimos apenas 2 em Zagreb, e eles se confundem com as pessoas, pois estavam bem vestidos. Nenhuma criança de rua.

 

ruas limpas em zagreb.jpg
Zagreb uma das cidades mais limpas que já vi!

 

– As cidades que visitamos parecem ser bastante dependentes do turismo. Talvez por isso tenham sido tão solícitos e simpáticos – com exceção de Zagreb, onde, talvez por ser capital e uma “cidade grande” para os padrões croatas, as pessoas sejam mais pragmáticas. Conversando com funcionários de Hvar e Dubrovnik, fomos informados que alguns restaurantes e hotéis fecham fora do período de “temporada”. Ou seja, funcionam de abril a outubro (para cidades muito turísticas como Dubrovnik, o período começa 1 mês antes e termina 1 mês depois), mostrando a dependência que a economia dessas cidades tem em relação ao turismo.

 

– Em Hvar, muitos funcionários tinham 2 ocupações: uma para o período de temporada e outra para os outros meses. Por exemplo: em junho ela era concierge do hotel e durante os outros meses ela trabalhava numa escola local. O guia turístico de Hvar era marceneiro nos meses de outubro a abril (em Hvar a temporada é mais curta). O que me fez pensar sobre leis trabalhistas mais flexíveis ou alto nível de informalidade na economia.

 

– Prepare- se para subir muitas escadas! Isso acontece normalmente nas cidades velhas, que são cidades muradas e construídas sobre encostas. A maioria das lojas ficam nas ruas principais, ou seja, facilmente acessíveis através do portão principal da cidade, mas boas lojas e restaurantes se escondem entre as escadarias. A fortaleza/castelo da cidade costuma se localizar no ponto mais alto – portanto, muitos degraus a serem enfrentados! Talvez por isso que eu não vi muitas academias, como vemos no Brasil.

 

 

– Apesar de eu não ter visto academias como vejo em São Paulo, as pessoas parecem ser bastante saudáveis por lá. Posso contar no dedo as pessoas que via e que poderiam ser consideradas obesas. Todas as pessoas que tivemos contato e que trabalhavam na parte turística eram pessoas magras exceto uma que poderia ser chamada de cheinha, mas nada além disso. Fiquei bastante impressionada.

 

-Aliás, isso me faz recordar que não lembro de ter visto redes de fast food em profusão. Há restaurantes que vendem hambúrgueres principalmente nas cidades mais turísticas como Dubrovnik. Em Pula havia um Mc Donald’s bem discreto. Pesquisei aqui e para efeito comparativo: são 27 unidades do Mc Donald’s na Croácia toda (no Brasil são 850 unidades e 84 Mc Cafés).

 

– O calendário em algumas cidades pode ser bem diferente da forma como nós o conhecemos… Conversando com guias turísticos, muitos disseram que o trabalho acontece apenas durante alguns meses do ano e em outros períodos (entre final e começo do ano: novembro a março) eles ficam em casa. Estabelecimentos comerciais fecham e as pessoas não trabalham. O guia de Dubrovnik chegou a dizer que fica em casa assistindo TV pois o período de trabalho pode ser bastante puxado e esses meses descansando o ajuda a se recuperar e a se preparar para a próxima temporada.

 

– Não dão muita importância para a segurança como se vê nos Estados Unidos. Subir a torre do Palácio Diocleciano pode ser uma aventura e tanto para aqueles que têm medo de altura. Há um corrimão e só! Pode-se ver toda a cidade pelo vão que fica entre o corrimão e as escadas. Nas cidades muradas, as escadarias e o chão costumam ser feitos de pedras lisas e precisam de atenção redobrada em dias de chuva. Também não há um controle externo sobre a circulação de pessoas nos monumentos ou mesmo em hotéis. Pode-se entrar e sair de resorts sem ser incomodado. Até mesmo os monumentos pagos contam com um caixa que faz o controle do pagamento, e em locais mais movimentados, mais uma pessoa que confere o ticket adquirido. Aqui eles partem do pressuposto de que você é honesto e não tem motivos para burlar as regras.

 

 

– Acredito que o passado socialista tenha deixado algumas marcas no modo de viver croata. Ouso dizer que a maioria das pessoas com quem tivemos contato na Croácia não pareciam ser muito gananciosas. Por exemplo: tivemos que acordar um taxista que dormia no carro, pois ele não esperava clientes às 9h da manhã, já que os voos chegavam ao aeroporto apenas após às 15h (ou seja, ele pretendia dormir por lá até que chegassem clientes, ao invés de percorrer a cidade em busca deles). Um dos guias de nossa viagem nos perguntou: “Mas porque alguém entraria na minha casa? O que ele roubaria? Uma TV?! A TV seria o bem mais valioso que tenho.”

 

– Falando em TV, os croatas são aficionados por futebol. Estávamos no país na época a Eurocopa e hotéis, restaurantes e bares faziam eventos em dias de jogos. As ruas ficavam bastante vazias no horário dos jogos. Nos arriscamos a pedir uma pizza pra viagem em Dubrovnik e o pizzaiolo saiu do meio do pessoal que assistia o jogo para fazer nossa pizza. Os garçons todos estavam ali, hipnotizados pela televisão e rapidamente nos serviam para não perder um minuto do jogo.

 

Em 12 dias, em apenas um restaurante senti um certo senso de oportunismo (os lagostins grandes estavam por cima dando a impressão de que o prato valia o que pagávamos e um dos lagostins estava intragável).

 

– Tudo é muito limpo. Não se vê entulho acumulado e nem lixo nas ruas.

 

ruas limpas em pula croacia
Rua na área portuária de Pula: tudo limpinho!

 

– Pelo depoimento de guias, o socialismo foi bastante brando na Iugoslávia (da qual a Croácia fazia parte). Por exemplo, os pais dos guias turísticos tinham uma religião. Apenas não podiam manifestar abertamente, mas se reuniam em cultos e manifestavam sua religião abertamente dentro de suas casas.

 

guia turistico cachorro hvar croacia offroad.jpg
Nosso super guia Ivor do Hvar off road tour na Croácia, e o cão que sempre vai visitá-lo quando é feita a parada no restaurante

 

– Tal como em qualquer país do mundo, existem certas rivalidades entre cidades e até entre países. Entre piadinhas e comentários espirituosos que ouvimos, Dubrovnik é vista com orgulho pelos locais e com escárnio pelas pessoas que vivem em outras cidades pois supostamente valorizam além da realidade a destruição ocorrida durante a guerra da Bósnia. Pessoas de Zagreb também se consideram “workaholics” comparativamente às pessoas das cidades menores devido ao ritmo da vida que levam. Nada muito diferente do que vemos em outros países, mas as risadas são garantidas!

 

Não deixem de ler o primeiro post sobre Restaurantes e o último post sobre Comércio e Economia.

 

Você já esteve por lá? Reparou em alguma coisa diferente? Conte para nós!

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